quinta-feira, 17 de abril de 2008

duas caras

Sabe que a Rede Globo de Televisão não pega aqui em casa né? Obviamente, ao declarar isso a alguém eu sempre me deparo com a mesma pergunta "credo, como não?", como se fosse alguma necessidade básica assitir o tal canal. Calmamente respondo "não pega ué, só sbt e Bandeirantes" - antes eu completava dizendo que não precisava de mais nada, já que assistia apenas chaves e futebol, mas como chaves parou de passar no horário que eu assistia e o meu Corinthians vai de mal a pior, não falo mais isso. Pois bem, voltando à Globo, não é que não pega nunca, às vezes pega, mas dura uns 15 minutos e sai do ar. Hoje, sentei-me pra comer, agorinha mesmo, na Band passava o glorioso R. R. Soares - que, pra quem não sabe, foi a inspiração de Matt Groening pra criar o Reverendo Timothy Lovejoy dos Simpsons - e no sbt passava o Nascimento falando do General Heleno e as invasões do MST - com seus maravilhosos contrapontos dizendo que antes os generais mandavam e a esquerda levava no lombo, hoje o MST faz o que quer e o General toma dura porque anda questionando as leis referentes à população indígena que ameaçam a soberania nacional. Legal, legal, mudei de canal, e não é que tava pegando a Globo? É! Tava no intervalo da novela duas caras, eu não sabia, deixei ali. Quando volta vai pra uma cena entre a 'Marília Gabi Cara de Cavalo Lady Macbeth Gabriela' e o Bento Gonçalves (que interpreta o Dr. Humberto). Olha, fiquei fascinado com tal homem. Há tempos que não via um desses! Puxa vida, pensei comigo, que exemplo hein. Estavam conversando sobre a proposta de casamento que ele tinha feito a ela. E (se você perdeu essa parte eu vou contar agora) não é que ela acaba com o sonho dele de casar na igreja, com padre, de branco e aquela coisa toda de arroz pra cima?? Ela disse que topava juntar os trapos, já casar era demais. Esse Bento Gonçalves viu.. Isso que é homem! Como se fosse pouca coisa, dando continuidade a cena, ela diz que não vai abrir mão de continuar suas atividades ali na Portelinha. E não é que o Dr. Humberto, de livre e espontânea vontade, se oferece pra assumir um ambulatório que ainda nem existe lá no meio da comunidade só pra ficar pertinho dela?? Isso que é homem! Isso que é profissional! Fiquei abobado! Corta a cena e passa pra outra com Juliana Knust, Vera Fischer (que parece representar um papel bastante irrelevante na trama toda) e uma cidadã que eu não faço idéia de quem seja. Neste momento Knust está incomodada com alguma coisa e acha o calendário desenvolvido 'legal', a indivídua fica brava com a superficialidade do comentário e acaba a cena. Agora aparece o 'Juvenal Pedro e Bino' falando ao telefone com a 'Marília Gabi Cara de Cavalo Lady Macbeth Gabriela' que conta sobre a oferta do Dr. Humberto de encarar a tal unidade de saúde, ele assume o telefone e diz que tem experiência e já fez seu pé-de-meia, dando a entender que dinheiro não é problema. Isso que é homem! Isso que é profissional! Isso que é exemplo! 'Juvenal Pedro e Bino' - em cena com Wolf Maia que, pra variar, tá tomando uma branquinha, com uma peruca ridícula - adorou a idéia e já vai tirar proveito disso pra sua candidatura ao cargo de vereador. Na sequência o que acontece? A Globo sai do ar.
Amanhã mesmo atendo ao pedido de minha mãe e compro uma antena pra saber o que acontece!

Trocadilhos à parte, acabo de descobrir que o sobrenome do tal 'Juvenal Pedro e Bino' é Antena!!!

Por favor vejam os comentários deste post!!!!!

quarta-feira, 16 de abril de 2008

PARA MARIA DA GRAÇA

Agora que chegaste à idade avançada de 15 anos, Maria da Graça, eu te dou este livro: Alice no País das Maravilhas.

Este livro é doido, Maria. Isto é: o sentido dele está em ti.

Escuta: se não descobrires um sentido na loucura acabarás louca. Aprende, pois, logo de saída para a grande vida, a ler este livro como um simples manual do sentido evidente de todas as coisas, inclusive as loucas. Aprende isso a teu modo, pois te dou apenas umas poucas chaves entre milhares que abrem as portas da realidade.

A realidade, Maria, é louca.

Nem o Papa, ninguém no mundo, pode responder sem pestanejar à pergunta que Alice faz à gatinha: “Fala a verdade, Dinah, já comeste um morcego?”.

Não te espantes quando o mundo amanhecer irreconhecível. Para melhor ou pior, isso acontece muitas vezes por ano. “Quem sou eu no mundo?” Essa indagação perplexa é o lugar-comum de cada história de gente. Quantas vezes mais decifrares essa charada, tão estranhada em ti mesma como os teus ossos, mais forte ficarás. Não importa qual seja a resposta; o importante é dar ou inventar uma resposta. Ainda que seja mentira.

A sozinhez (esquece essa palavra que inventei agora sem querer) é inevitável. Foi o que Alice falou no fundo do poço: “Estou tão cansada de estar aqui sozinha!” O importante é que ela conseguiu sair de lá, abrindo a porta. A porta do poço! Só as criaturas humanas (nem mesmo os grandes macacos e os cães amestrados) conseguem abrir uma porta bem fechada, e vice-versa, isto é, fechar uma porta bem aberta.

Somos todos tão bobos, Maria. Praticamos uma ação trivial, e temos a presunção petulante de esperar dela grandes conseqüências. Quando Alice comeu o bolo, e não cresceu de tamanho, ficou no maior dos espantos. Apesar de ser isso o que acontece, geralmente, às pessoas que comem bolo.

Maria, há uma sabedoria social ou de bolso; nem toda sabedoria tem de ser grave.

A gente vive errando em relação ao próximo e o jeito é pedir desculpas sete vezes por dia: “Oh, I beg your pardon!” Pois viver é falar de corda em casa de enforcado. Por isso te digo, para a tua sabedoria de bolso: se gostas de gato, experimenta o ponto de vista do rato. Foi o que o rato perguntou à Alice: “Gostarias de gatos se fosses eu?”.

Os homens vivem apostando corrida, Maria. Nos escritórios, nos negócios, na política, nacional e internacional, nos clubes, nos bares, nas artes, na literatura, até amigos, até irmãos, até marido e mulher, até namoradas, todos vivem apostando corrida. São competições tão confusas, tão cheias de truques, tão desnecessárias, tão fingindo que não é, tão ridículas muitas vezes, por caminhos tão escondidos, que, quando os atletas chegam exaustos a um ponto, costumam perguntar: “A corrida terminou! mas quem ganhou?” É bobice, Maria da Graça, disputar uma corrida se a gente não irá saber quem venceu. Se tiveres de ir a algum lugar, não te preocupe a vaidade fatigante de ser a primeira a chegar. Se chegares sempre aonde quiseres, ganhaste.

Disse o ratinho: “Minha história é longa e triste!” Ouvirás isso milhares de vezes. Como ouvirás a terrível variante: “Minha vida daria um romance”. Ora, como todas as vidas vividas até o fim são longas e tristes, e como todas as vidas dariam romances, pois romance é só o jeito de contar uma vida, foge, polida mas energicamente, dos homens e das mulheres que suspiram e dizem: “Minha vida daria um romance!” Sobretudo dos homens. Uns chatos irremediáveis, Maria.

Os milagres sempre acontecem na vida de cada um e na vida de todos. Mas, ao contrário do que se pensa, os melhores e mais fundos milagres não acontecem de repente, mas devagar, muito devagar. Quero dizer o seguinte: a palavra depressão cairá de moda mais cedo ou mais tarde. Como talvez seja mais tarde, prepara-te para a visita do monstro, e não te desesperes ao triste pensamento de Alice: “Devo estar diminuindo de novo”. Em algum lugar há cogumelos que nos fazem crescer novamente.

E escuta esta parábola perfeita: Alice tinha diminuído tanto de tamanho que tomou um camundongo por um hipopótamo. Isso acontece muito, Mariazinha. Mas não sejamos ingênuos, pois o contrário também acontece. E é um outro escritor inglês que nos fala mais ou menos assim: o camundongo que expulsamos ontem passou a ser hoje um terrível rinoceronte: É isso mesmo. A alma da gente é uma máquina complicada que produz durante a vida uma quantidade imensa de camundongos que parecem hipopótamos e de rinocerontes que parecem camundongos. O jeito é rir no caso da primeira confusão e ficar bem disposto para enfrentar o rinoceronte que entrou em nossos domínios disfarçado de camundongo. E como tomar o pequeno por grande e o grande por pequeno é sempre meio cômico, nunca devemos perder o bom humor.

Toda pessoa deve ter três caixas para guardar humor: uma caixa grande para humor mais ou menos barato que a gente gasta na rua com os outros; uma caixa média para humor que a gente precisa ter quando está sozinho, para perdoares a ti mesma, para rires de ti mesma; por fim, uma caixinha preciosa, muito escondida, para as grandes ocasiões. Chamo de grandes ocasiões os momentos perigosos em que estamos cheios de dor ou de vaidade, em que sofremos a tentação de achar que fracassamos ou triunfamos, em que nos sentimos umas drogas ou muito bacanas. Cuidado, Maria, com as grandes ocasiões.

Por fim, mais uma palavra de bolso: às vezes uma pessoa se abandona de tal forma ao sofrimento, com uma tal complacência, que tem medo de não poder sair de lá. A dor também tem o seu feitiço, e este se vira contra o enfeitiçado. Por isso Alice, depois de ter chorado um lago, pensava: “Agora serei castigada, afogando-me em minhas próprias lágrimas”.

Conclusão: a própria dor deve ter a sua medida: É feio, é imodesto, é vão, é perigoso ultrapassar a fronteira de nossa dor, Maria da Graça.


- Paulo Mendes Campos

terça-feira, 15 de abril de 2008

enquanto isso no jornal do sbt

".. uma forma de ganho que pode dar vida digna aos catadores e moradores de rua.."

- Carlos Nascimento, âncora.

domingo, 13 de abril de 2008

Amy de Amsterdam

Domingão. Dia arrastado esse de hoje. Talvez pelo ritmo dos anteriores. Nada de útil! Roupas limpas, almoço tranquilo, tudo bem ajeitado ao som de Amy Winehouse. Quem tinha me cantado a bola foi o mólêrn Léozinho, mas quando ele me falou da tal moça eu tava numa daquelas etapas-total-xenófobas que por vezes me pego, cheguei a verbalizar isso pra ele. Que bom que ele sabe que não foi nada pessoal, ele me conhece, sabe que eu posso ser mais intransigente que um animal faminto. Enfim..
Amy da brasa dos brutos na coxa, ouvi o ao vivo em Amsterdam que ela gravou. Não tinha nem olhado pra cara dela até então, fui direto no som. Retrô, sessentista, é notório do início ao fim - depois me informei que ela curte mesmo uma pancada de girls-groups desses tempos. Aliás, rola um figurino à altura, etc, etc. Em algum lugar alguém disse que seus trajes são como os de uma meretriz de décadas atrás. Vi também comentários bastante divergentes a seu respeito, só fiquei intrigado com o fato de quem mete o pau não faça nenhuma avaliação do som, simplesmente dizem não ouvir por se tratar de uma drogada à beira da morte. Inclusive, com relação ao potencial auto-destrutivo, tenho que concordar que ela tem a manha. É Amy dos dentes rangendo. Tem até um site que promete um iPod pra quem acertar a data de sua morte. É mole? Pelo pouco que encontrei dela deu pra sacar que ela faz parte do seleto grupo "clínica geral", usa de tudo - mas tudo mesmo!
Pois é, seria a pressão de lidar com o sucesso cada vez maior? Sei lá.. Sei que o som é legal sim. Nessa praia chamada neo-soul ou neo-jazz ou vários outros neo que não o do Matrix. Ela tá aí ganhando espaço na mídia não é só por causa dos estardalhaços da cama, da cana, fulana, sacana. Voz negra, sem aquela
firulera toda tão presente em outras cantoras, achei bem objetiva. E parece estar pouco se importando com o falatório, escreve o que quer e manda ver - outro ponto positivo na minha opinião, ela escreve suas letras. A banda é bem bacana também, arranjos com uma boa base de piano e metais, batera de pulso firme. O 1º disco (foto), Frank de 2003, é menos pop. Na música Moody's Mood For Love, ao término do 21º segundo ela dispara uma frase que eu devo ter voltado pra ouvir umas 17 vezes, bem guita jazz, gostei dessa. Tem uma pegada irreverente daquelas que ou domina o gogó ou deixa quieto, vide Cherry do álbum ao vivo. Ainda deste álbum baladinhas melancolicamente saborosas como Wake Up Alone e Love Is a Losing Game, e as máximas Back to Black (com aquela paradinha de deixar neguinho no vácuo) e Rehab (da Amy dos olhos enxutos).
Que ela vai acabar mesmo se arrebentando é um fato, mas uma pena.

sexta-feira, 11 de abril de 2008

Desirée


Agora isso, só o que faltava, além de abusada ainda tira proveito de momentos íntimos que tivemos.
Lembra daquela vez que eu fui pra República Checa com as garotas? Então, fizemos umas festinhas por ali viu, e foi assim que eu conheci Milly. Aquela coisa né, naquele rolo surge uma máquina fotográfica. Tá bom, era minha mesmo, você sabe que eu sempre carrego pra todo lado. Até aí tudo bem. Agora, eu mando pra ela as fotos, ela agradece prometendo uma visita a qualquer momento e ainda manda aquela variedade de bacio pra depois me sacanear?? É, sacana!! Sai candidata à prefeitura de Roma e bota minha bunda no cartaz dizendo ser dela! Fala sério, você conhece minha bunda!! Olha aí!! Não é possível!! Mas deixa estar, ela há de receber uma convocação, vou fazê-la responder um processo por falsidade bundológica!! É o mínimo que eu posso fazer nessa situação!
Um beijo e me liga!

quinta-feira, 10 de abril de 2008

Maurits Cornelis Escher




É holandês, viveu de 1898 a 1972. Mestre em gravuras, trabalhava com litografia, xilografia e meios-tons - minha primeira impressão é que se tratava de pinturas. Já conhecia algumas obras dele mas não as ligava ao autor, cito como exemplo: Hand with Reflecting Sphere, Three Spheres II, Drawing Hands, Bond of Union, Moebius Strip II (1ª das imagens acima). Algumas de suas imagens são comumente usadas na área da psicologia e psicanálise. Cheguei até ele através de Rob Gonsalves, que também achei fabuloso.
Escher ingressa na School for Architecture and Decorative Arts, em Haarlem. Após uma semana na escola, depois de ter mostrado desenhos e linóleo a seu professor, avisa seu pai que seria mais apropriado se enveredar pelos caminhos da Arte Gráfica (não sei se a tradução exata não seria Artes Plásticas, dá um desconto aí porque sou leigo no assunto), fazendo isso a seguir. Além desta área específica, chegou a trabalhar em ilustrações de livros, design de tapeçarias, murais e até selos.
Como não podia deixar de ser, pode-se nitidamente verificar diferentes fases em seu trabalho. O que fica marcante pra mim é sua capacidade de subversão das perspectivas. Mesmo respeitando as regras geométricas ele consegue causar uma distorção fantástica, vide Waterfall (2ª imagem acima) - como, em nome de Deus, ele conseguiu fazer a água cair na roda?? Outra de suas qualidades é seu trabalho com o estilo mosaico - Plane Filling II e Verbum - e a combinação dos elementos deste estilo com suas 'estruturas impossíveis' - Reptiles (3ª imagem acima) e Encounter.
Sem dúvida influenciou e continuará influenciando muitos artistas e cativando inúmeros fãs pelo mundo afora!
Imagens extraídas do website oficial: http://www.mcescher.com/
Confiram!

Ps: clique nas imagens acima para ampliá-las.

os objetos (a) na experiência analítica

É o tema do VI Congresso da Associação Mundial de Psicanálise que acontece agora, do dia 21 ao dia 25 de abril, em Buenos Aires. Acabo de ficar sabendo e, sinceramente, estou sem condições de participar embora a vontade seja grande. Tô passando a dica adiante, ainda há tempo.
Além disso, gostaria de sugerir aos interessados na temática do Congresso - bem como os interessados no estudo da psicanálise em geral - a leitura de um dos textos disponíveis na página que julgo levantar questões bastante pertinentes na atualidade. Aí está o link: http://www.amp2008.com/pt/template.asp?textos/presenta_bn/laurent.html
Boa leitura!